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Agosto Lilás: como organizar uma campanha de conscientização

Infográfico agenda 2030 da ONU

O mês de agosto é marcado pela luta para o fim da violência contra as mulheres. Anualmente, inúmeras organizações públicas e privadas realizam campanhas educativas para conscientizar as pessoas a respeito do tema, principalmente sobre a relevância de denunciar agressões físicas. 

Neste artigo explicamos o que é o Agosto Lilás e qual a importância das iniciativas que abordam a violência doméstica. Boa leitura! 

Qual o objetivo do movimento Agosto Lilás?

A iniciativa faz referência à Lei Federal nº 11.340/ 2006 – Lei Maria da Penha, assinada no dia 7 de agosto de 2006. Esta lei foi criada para coibir a violência doméstica contra mulheres e “qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial”. Além disso, definiu quais são os tipos de assistência à mulheres em situação de violência doméstica e familiar e as medidas integradas de prevenção e de assistência.  

O Agosto Lilás foi uma iniciativa da Subsecretaria de Políticas Públicas para Mulheres (SPPM) para celebrar uma década de existência da lei promovendo ações de enfrentamento à violência doméstica. Vários Estados e cidades aderiram ao movimento e em locais a campanha foi incluída no calendário anual de atividades.

Em todo o Brasil, muitos Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) e Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) organizam campanhas durante este período, promovendo ações em espaços públicos, palestras e oficinas. 

Qual a importância do Agosto Lilás?

O Agosto Lilás é importante porque traz visibilidade a um tema que tem índices alarmantes no mundo todo. Os dados de pesquisas recentes continuam mostrando uma porcentagem significativa de mulheres agredidas por seus parceiros dentro de casa. 

A dificuldade em obter dados sobre a violência contra as mulheres também é uma realidade preocupante. A falta de padronização para registros de casos e a subnotificação são agravantes que impactam na construção de relatórios e, consequentemente, das políticas públicas de enfrentamento. Durante o isolamento social causado pela pandemia de Covid-19, as agressões físicas e feminicídios aumentaram consideravelmente no Brasil e no mundo. Por isso, discutir esse assunto é cada vez mais necessário.

O mês temático também é um momento oportuno para explicar como fazer denúncias e quais são os serviços especializados de atendimento à mulheres vítimas de violência disponíveis no município. 

O que fazer no Agosto Lilás?

A secretaria de Assistência Social quase sempre está envolvida com a campanha do Agosto Lilás. Mas é muito importante que outras secretarias participem ativamente do planejamento das ações, para construir uma programação ampla e alcançar um público maior. 

Abaixo, listamos uma série de sugestões de atividades para este mês tão importante. Confira! 

Palestras e rodas de conversa 

As palestras são um ótimo recurso para informar e educar o público a respeito de determinado tema. Geralmente são organizadas da seguinte forma: a convidada aborda um conteúdo programático e, em seguida, há um momento para tirar dúvidas.

Para o Agosto Lilás, a organização pode incluir mais de uma palestrante, realizando um painel. Esse formato é interessante porque deixa o evento mais dinâmico e aprofunda os assuntos por diferentes pontos de vista. Já as convidadas podem ser profissionais da assistência social, de segurança pública ou ligadas a organizações não-governamentais de combate à violência contra mulheres. 

Ao organizá-las, informe dia, horário, duração e apresente um pequeno resumo dos temas que serão abordados na palestra. Peça apoio da prefeitura para divulgar o evento em escolas, empresas e outras organizações. Prepare comunicados para a imprensa e para as mídias sociais. 

Sugestões de temas:

  • Explicar o que caracteriza violência contra mulher, quais são os tipos (sexual, patrimonial, física, psicológica e moral) e porque é importante denunciá-las;
  • Apresentar termos e conceitos importantes, explicando o que é machismo, desigualdade de gênero, relacionamento abusivo e como essas práticas afetam a vida das mulheres;
  • Apresentar quais são os serviços especializados de apoio às vítimas de violência disponíveis na cidade ou no Estado e quais são os canais para fazer denúncias. 

As rodas de conversa também são importantes para facilitar o diálogo e a conexão com o grupo. Nesse caso, uma mediadora no assunto é convidada para interagir com o grupo e favorecer as trocas de experiência e a identificação de situações problema.

Capacitações profissionais, formações teóricas, oficinas e workshops também podem compor a programação. 

Campanhas educativas

Nas mídias sociais

A secretaria responsável pela campanha pode articular uma parceria com a prefeitura e criar uma campanha educativa nas mídias sociais. É uma alternativa para informar o público mais jovem e estimular o compartilhamento dessas informações.

Algumas ideias de conteúdo:

  • Telefones para denúncias ou informações sobre direitos da mulher; 
  • Endereço de delegacias da mulher ou de delegacias especializadas;
  • Informar que vizinhos podem denunciar agressões, já que muitas pessoas ainda não sabem que é possível.  

 

No Mapa das Delegacias da Mulher, elaborado pelo Instituto AzMina, há informações atualizadas sobre onde é possível denunciar violências e pedir medidas protetivas.

Quer saber mais sobre o uso das mídias sociais no Serviço Social? Neste artigo nós explicamos sobre formatos, boas práticas para produzir conteúdo e apresentamos uma lista de recursos gratuitos úteis. 

Em espaços públicos 

Banners, faixas e intervenções artísticas em espaços públicos ou no trânsito chamam a atenção dos passantes e colocam o tema em destaque. Crie ou escolha uma frase curta e fácil de compreender, principalmente se for coloada em um ambiente de ampla e rápida circulação.

Nesse sentido, informar os dados da violência contra mulheres, que são tão expressivos, é uma forma de chamar atenção para o problema. Os dados podem ser de nível municipal, estadual ou nacional. 

Veja onde encontrar informações: 

O projeto Um vírus, duas guerras é um levantamento sobre o feminicídio durante os meses de pandemia em 2020 no Brasil. A série jornalística apresenta dados de vários Estados e problematiza a falta de levantamentos e relatórios sobre o tema. 

A Serenas atua para garantir os direitos de meninas e mulheres e implementa soluções para prevenir e enfrentar a violência doméstica. A organização produziu a cartilha educativa Violência contra mulher não é normal – Guia para adolescentes (disponível para download) e, no Instagram, faz várias publicações informativas, como Onde buscar ajuda em caso de violência de gênero.

O aplicativo Penhas, desenvolvido pelo Instituto Az Mina, agrega informações, rede de acolhimento e recursos para pedidos de ajuda. O portal publica artigos jornalísticos sobre violência, saúde e outros temas que podem nutrir rodas de conversa e encontros com grupos de mulheres. 

A Gênero e Número produz jornalismo orientado por dados e análises sobre questões de gênero e raça e tem uma categoria exclusiva sobre violência. No site há inúmeros artigos e matérias especiais com estatísticas e análises. 

Continue aprendendo

Agora que você já sabe como elaborar uma campanha de conscientização para combater a violência doméstica, continue aprendendo com a gente. Aqui no blog você encontra artigos sobre assistência social, educação pública e gestão nos municípios! 

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