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9 dicas para mediar conflitos em sala de aula

Quando a sala de aula deixa de ser lugar de aprendizagem para se tornar espaço de confusão e tumulto, as perdas são significativas. Tempo despendido e desgaste emocional estão entre esses prejuízos que jogam contra o sucesso do processo educativo.

Contornar as dificuldades logo que surgem — e da melhor maneira possível — é o caminho a seguir. Isso, para evitar maiores problemas e desenvolver com êxito as atividades da turma.

Prossiga com a leitura e conheça as nossas 7 dicas para mediar conflitos em sala de aula!

1. Aja preventivamente

Como os conflitos em sala de aula acabam sendo desgastantes sob diversos aspectos, agir preventivamente é sempre útil. Portanto elencamos, abaixo, ações preventivas para você reduzir as situações problemáticas:

Esteja atento à interação entre os alunos

Estar atento à interação entre os alunos é uma maneira de não ser pego de surpresa pelos conflitos em sala de aula. Como cada grupo tem um ritmo conhecido do professor, é importante notar as mudanças no comportamento da turma.

Claro que há épocas em que o nervosismo é generalizado, como em dias de prova, por exemplo. Mas, se não há motivos para os alunos mostrarem conduta fora do costumeiro, alterações comportamentais podem indicar problemas à vista.

Trabalhe forte contra o “diz que me diz que”

Não aceite que seus alunos delatem uns aos outros, ou sejam maledicentes entre eles. Sempre que um boato chegar aos seus ouvidos, deixe claro não apreciar a conduta de quem o está divulgando.

Acalme a turma quando preciso

Como citamos antes, há momentos em que a turma fica agitada. Isso se dá em função de diferentes circunstâncias. Além dos dias de avaliações, muitas outras ocorrências deixam a criançada alvoroçada.

A aula de educação física, informática ou as saídas para ir à biblioteca geralmente ocasionam animação entre os alunos. Essa movimentação, se por um lado é muito positiva, também abre espaço para a ocorrência de conflitos.

Uma maneira inteligente de lidar com a turma quando se mostra agitada, é chamar todos a uma pausa. Durante essa parada nas atividades, você os convida a perceberem suas próprias respirações.

A partir dessa consciência, chame-os a inspirar e expirar o ar algumas vezes. Com esse exercício, a tendência é a turma se acalmar. E o aparecimento de situações conflituosas em função da agitação ser minimizado, ou até anulado.

2. Mantenha a calma

Para servir de mediador dos conflitos que nascem da convivência entre os alunos, é fundamental o professor estar calmo. Só em plena posse de sua razão e postura de educador, o profissional do ensino estará apto a encaminhar problemas à resolução.

Portanto, seja o exemplo que seus alunos precisam, mantenha a calma. Ao se sentir estressado além da conta, não se deixe levar pela situação. Antes disso, conte até 10, 100, 1000, mas não perca o controle.

3. Tranquilize situações

Quando o desentendimento já está em andamento, a primeira coisa a fazer é acalmar os ânimos.

Com calma e autoridade, o professor deve conduzir a situação de maneira justa e isenta de parcialidade, de modo a convidar os alunos a reverem suas posturas.

4. Leve a conversa para fora da sala

Já apaziguada a situação, é hora de procurar modos de solucionar o conflito. Um jeito que muitos professores escolhem — e que costuma dar muito certo — é levar a conversa para fora da sala de aula.

O que se consegue, ao mudar de ambiente e manter o conflito longe dos olhares da turma inteira, é a redução da tensão. Com o distanciamento do grupo, que em casos de discussões e brigas pode assumir a função de elemento estimulador, o diálogo tende a fluir com mais facilidade.

5. Estimule o diálogo

Nada como uma conversa para fazer um conflito cessar. Se a conversa for bem encaminhada, pode até solucionar de vez um problema recorrente.

Então, no papel de mediador, estabeleça as bases para um diálogo saudável entre os alunos que estão em meio a um conflito. Essas bases devem ser o respeito e a consideração.

Colocando em outros termos: explique aos seus alunos que a conversa deve seguir sem ofensas, e que as razões do outro devem ser realmente consideradas.

6. Incentive a empatia

Depois de acalmar os ânimos e encaminhar um diálogo saudável, é hora de apontar caminhos que levem ao fim do conflito. Uma caminho seguro para mostrar aos alunos conflitantes é o da empatia.

Para exercitar a empatia entre os estudantes, sugira que um se coloque no lugar do outro por alguns instantes. Oriente-os a perceberem como se sentem, trocando de posição. Essa medida permite que eles analisem a questão por outro ponto de vista: o do oponente.

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7. Faça das habilidades socioemocionais suas aliadas

Uma ferramenta valiosa para apoiar a mediação de conflitos em sala de aula é o estímulo à manifestação das habilidades socioemocionais.

Essas habilidades dizem respeito à identificação e reconhecimento de emoções, tanto próprias como dos outros. Também referem-se a um processo que envolve autocontrole, saúde e sucesso escolar. Tudo a partir de uma convivência pautada em amabilidade, conscienciosidade, abertura para novas experiências e estabilidade emocional.

Tendência surgida após extensos estudos contemporâneos, a aprendizagem socioemocional pode ser desenvolvida em todo o tempo dentro da sala de aula. Existem, inclusive, materiais específicos para apoiar o processo, que já está em pleno andamento — e dando resultados — em diversas escolas do mundo todo.

Um dos principais projetos de aprendizagem emocional sendo desenvolvido em escolas públicas brasileiras é o Programa Compasso. Idealizado pelo Instituto Vila Educação, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), conta com planos de aulas e recursos pedagógicos como CDs, DVDs e jogos, dentre outros materiais.

8. Eleja responsáveis pelas mediações 

Eleger mediadores para auxiliar no enfrentamento dos conflitos em sala de aula é uma ótima saída. Além de o professor dividir a responsabilidade, o projeto pode ser expandido para toda a escola.

Vale lembrar que os novos mediadores precisarão, inicialmente, de auxílio e treinamento para lidar com os conflitos da forma mais adequada.

Um exemplo que colheu ótimos resultados, implantado pela escola CEF 602 em 2011, foi o Projeto Estudar em Paz. Na ocasião, foram escolhidos cerca de 50 alunos para mediar os conflitos na escola, sendo que todos tiveram que passar por uma capacitação. Segundo a diretora, Silvani Carlos dos Santos, a violência diminuiu consideravelmente e não existem mais depredações ao patrimônio.

Um projeto, como este, pode trabalhar com diferentes tipos de mediadores, tudo depende da estratégia que a escola deseja adotar para a sua realidade. Veja, abaixo, as possibilidades de mediação:

  • Alunos(as): serão os responsáveis por mediar os conflitos em toda a escola, por isso, precisam de treinamento para desenvolverem a habilidade de comunicação;
  • Professores(as): além dos professores, outros membros da equipe escolar podem ser selecionados, a dica é optar por pessoas com o perfil adequado para mediar conflitos. Da mesma forma, devem passar por treinamento;
  • Comissão: pode ser composta por alunos, professores, secretários e, inclusive, profissionais externos. A atuação da comissão deve ser, sempre, em conjunto;
  • Comunidade escolar: através de encontros entre alunos, pais e colaboradores, são debatidas soluções para os conflitos mais frequentes na escola.

No caso das mediações feitas pelos alunos, professores ou por uma comissão, a mediação deve ocorrer da seguinte forma: os dois lados conflitantes são chamados para conversar com os mediadores em uma sala separada da turma.

As diferentes versões são ouvidas e todos são conduzidos a entenderem os dois lados. Por fim, os mediadores devem deixar que os envolvidos sugiram maneiras de resolver o conflito e chegar a um consenso final.

Ao optar pela mediação envolvendo a comunidade escolar, um dos colaboradores da escola deve conduzir o encontro, falando sobre a situação, mas sem expor os envolvidos. A ideia é abrir um debate para que todos deem sugestões de como resolver o conflito. 

9. Crie normas em conjunto com os alunos

Para evitar futuros conflitos em sala de aula, envolva os alunos na criação de regras para uma boa convivência da turma.

Ao fazerem parte dessa construção, contribuirão para que as novas normas sejam cumpridas e, também, cobrarão comprometimento dos colegas.

Dica bônus: análise os conflitos e tome decisões através de dados

Para tomar decisões mais estratégicas em relação aos conflitos em sala de aula, é essencial compreender questões como, frequência dos acontecimentos, qual o ano escolar mais envolvido e se são os meninos ou as meninas que mais causam esses confrontos.

Acontece que, geralmente, as ocorrências são registradas em livros impressos que dificultam o acesso e a análise de seus dados. Para tornar o enfrentamento dos conflitos dinâmico e inteligente, é preciso registrar os dados em um software.

O i-Educar, por exemplo, é um sistema de gestão escolar que permite fazer o registro das ocorrências disciplinares na escola. É totalmente on-line, por isso não precisa de instalação e pode ser acessado de qualquer computador, notebook ou tablet.

Assim que a equipe fazer o cadastro no sistema, conseguirá visualizar a ocorrência em um relatório, junto com os demais registros.

Ocorrência disciplinar registrada no i-Educar: software para escolas municipais.

Ocorrência disciplinar registrada no i-Educar, software para escolas municipais. Imagem: dados fictícios – Portabilis.

O fato de conseguir analisar todos os registros de ocorrências, ao mesmo tempo, facilita o gerenciamento dos dados e faz com que você obtenha informações valiosas sobre as causas dos problemas e suas possíveis soluções. 

Sabemos que o papel do professor desdobra-se em outros tantos papéis e que mediar conflitos em sala faz parte do seu cotidiano. Pensando nisso, direcionamos esse post a elencar práticas que vêm dando certo nas escolas do país e exterior. Assim, esperamos que nossas dicas sejam úteis a você, que busca novas formas de lidar com os jovens, suas angústias e dificuldades.

Continue aprendendo

E então? Você já utiliza algumas das estratégias acima, ou conhece outros modos eficientes de mediar conflitos em sala de aula? Conta para nós a sua experiência, será um prazer ouvi-lo!

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