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Coronavírus: como o assistente social pode continuar trabalhando na quarentena?

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Em tempos de quarentena causada pelo coronavírus, muitas pessoas têm permanecido em casa, sendo que grande parte dos profissionais tem precisado se reinventar para continuar trabalhando. O mesmo acontece com o assistente social.

Sabemos que a pandemia será responsável, por exemplo, por uma profunda recessão econômica que causará o aumento das vulnerabilidades sociais. 

Veremos, ainda, a acentuação das desigualdades educacionais, pois os alunos que possuem acesso à internet terão a possibilidade de continuar estudando, enquanto outros permanecerão isolados da escola devido à falta de recursos tecnológicos em casa.

Da mesma forma, cabe aos trabalhadores do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), conscientizar e orientar as pessoas em situação de vulnerabilidade sobre a importância de se prevenirem e trabalharem de forma segura, pois muitas delas exercem funções em locais que prestam serviços essenciais como, supermercados, indústrias alimentícias, postos de combustível e farmácias.

Lembrando que, devido a pandemia, também está ocorrendo o aumento da demanda de assistentes sociais na área da Saúde.

Além de todos os agravantes citados acima, muitas das demandas do assistente social serão acumuladas caso os serviços da Assistência Social sejam paralisados por completo. Por isso, esses profissionais não podem parar, nem mesmo em estado de isolamento social.

Porém, como dar continuidade aos serviços sociais sem sair de casa? Boa parte das atividades como, atendimentos, visitas domiciliares e oficinas, são feitas de forma presencial.

São vários os desafios para manter o trabalho da Assistência Social no período de quarentena. Por isso, trouxemos, nesse texto, o que o Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) tem orientado a respeito do exercício profissional do assistente social, além de iniciativas de alguns municípios para lhe servir de inspiração.

O que o CFESS orienta sobre a quarentena?

Em nota oficial, o CFESS divulgou orientações para os profissionais da Assistência Social e para os Conselhos Regionais de Serviço Social (CRESS) sobre como lidar com seus trabalhos no período de quarentena.

De forma resumida, as instruções são as seguintes:

  • Seguir, de forma rigorosa, as indicações dos órgãos e autoridades sanitárias e de saúde pública dos estados e municípios. Deve-se levar em conta que cada região pode ter orientações diferentes devido ao estágio do vírus em cada localidade;
  • Decidir, de forma autônoma e coletiva, como os atendimentos aos usuários serão realizados. Lembrando que se for optado por videoconferência, esta deverá ocorrer em caráter excepcional, já que o CFESS não regulamenta a modalidade devido às ponderações acerca da qualidade do serviço;
  • Pode haver uma flexibilização para garantir a proteção do profissional e do usuário nos casos dos atendimentos reservados, conhecidos também como atendimento de “portas fechadas”;
  • Orientar e informar a população sobre a prevenção necessária para o momento atual.

Como continuar o trabalho do assistente social em tempos de coronavírus?

Em alguns municípios, os profissionais da Assistência Social estão trabalhando em caráter de plantão e fazendo revezamento do quadro, porém ainda no formato presencial. O que pode, da mesma forma, comprometer a segurança dos trabalhadores e dos usuários.

Já em outras cidades, a saída tem sido a videoconferência, tanto com a população, quanto com a equipe técnica.

No entanto, muitos usuários não têm acesso à internet, smartphones ou computadores. Nestes casos, cabe ao assistente social avaliar a realidade de cada indivíduo e, se necessário, fazer as devidas adaptações.

Porém, é fundamental que o trabalho do assistente social não pare, buscando, na medida do possível, atender o maior número de usuários.

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Passado o período de quarentena, as soluções digitais podem, inclusive, se tornar novas formas de comunicação entre os profissionais da Assistência Social.

Para ajudar seu município a encontrar soluções para o período de quarentena, trouxemos exemplos de como algumas cidades estão lidando com a situação sem pausar a distribuição dos benefícios eventuais, atendimentos e acompanhamentos. Veja abaixo.

Iniciativas para se inspirar

Schroeder/SC

Apesar de não haver casos confirmados de contágio pelo coronavírus no município de Schroeder, em SC, a cidade está cumprindo o isolamento social determinado pelo estado.

Segundo a Diretora de Assistência Social, Daiane Wolf, os trabalhadores dos equipamentos foram dispensados e os telefones do CRAS e do CREAS foram redirecionados para o seu celular. 

A ideia é que as ligações sejam destinadas à orientações gerais e o WhatsApp aos atendimentos aos usuários. Já em situações de emergência, um profissional será acionado para realizar o atendimento de plantão. 

Para conceder os benefícios eventuais como, as cestas básicas, será solicitado que o usuário encaminhe as fotos de seus documentos pelo WhatsApp. Depois disso, o assistente social avalia o que foi enviado e faz o atendimento por videoconferência. Neste caso, apenas a busca pelo benefício será feita de forma presencial, na recepção do equipamento.

Caso a quarentena continue por mais tempo que o esperado, na medida do possível, os acompanhamentos complexos também serão realizados de forma on-line.

Rio do Campo/SC

Segundo Adevilson Carlos Pires, Secretário de Assistência Social de Rio do Campo/SC, está sendo feito o possível para não expor a equipe e os usuários. Por isso, o município está trabalhando no seguinte formato:

  • Orientação à população por meio de WhatsApp e e-mail;
  • Visitas para avaliação e concessão de benefícios eventuais com os devidos cuidados – priorizando auxílio alimentação;
  • Plantão 24h para atendimento a possíveis situações de violação de direitos;
  • Atendimento às famílias acolhedoras – de preferência no formato remoto;
  • Auxílio às ações da Secretaria de Saúde através de barreira sanitária e orientações à população;
  • Apoio técnico ao Conselho Tutelar.

Estado de SP

Sabemos que muitas crianças e adolescentes passam o dia apenas com a alimentação fornecida na escola, certo? Com a suspensão das aulas em muitos estados e municípios do Brasil, há um agravamento da situação de vulnerabilidade dessas famílias.

Pensando nisso, o estado de SP lançou o programa Merenda em Casa que concede R$ 55 por mês para cada um dos 700 mil estudantes da rede estadual durante o período de quarentena.

Em função da suspensão das aulas, a iniciativa de caráter emergencial beneficiará os alunos cujas famílias fazem parte do programa Bolsa Família, além dos que se encontram em condição de extrema pobreza, conforme o Cadastro Único do Governo Federal.

 

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E então? Acha que é possível continuar realizando o trabalho do assistente social em tempos de coronavírus? Como seu município está agindo diante dessa situação? Conta para nós, será um prazer ouvi-lo!

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