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Nova cartilha de alfabetização do MEC: conheça as principais mudanças

Lançada em agosto de 2019, a nova cartilha de alfabetização, produzida pelo MEC em conjunto com o governo federal, servirá como norteadora da alfabetização no País. 

O documento, com 56 páginas, é um guia explicativo da Política Nacional de Alfabetização (PNA). Contesta o conteúdo das faculdades de Pedagogia, bem como o método de ensino dos professores, nos últimos 30 anos, ao prepararem os alunos para leitura, escrita e aplicação de cálculos básicos.

Segundo os dados da última Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA), realizada em 2016, mais de 50% das crianças, com até 8 anos, não adquiriram o conhecimento adequado para sua idade em português e matemática.

Ao destrincharmos o número acima, observaremos que as capacidades de ler e de lidar com os números são as mais prejudicadas, chegando a quase 60% de insuficiência.

Diante desse cenário, o posicionamento do MEC e do governo federal é alfabetizar, tomando como base esses resultados e os aliando à evidências científicas.

Por isso, logo no início da cartilha, há uma contextualização do cenário de alfabetização brasileiro, seguida de algumas referências técnicas internacionais.

Países como, Portugal, Estados Unidos, França, Austrália, Canadá e Chile, inspiraram o conteúdo da cartilha devido ao sucesso alcançado em seus indicadores educacionais ao longo do tempo.

Em Portugal, por exemplo, o abandono escolar caiu de de 25% para cerca de 13,7%. Além disso, o País, utilizando o método proposto na cartilha, ultrapassou a média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nas três áreas do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa).

Principais mudanças com a nova cartilha de alfabetização 

A maior crítica dos especialistas, em relação ao documento, é que ele não é prático. Não há uma explicação de como a teoria deve ser aplicada em sala de aula.

Para trazer os resultados esperados, é preciso maior clareza e um delineamento mais próximo da realidade.

O próximo passo, depois do lançamento da cartilha, é a elaboração de um relatório por um grupo de 12 especialistas, que servirá de base para a formulação da política e de guia para as escolas. 

De forma geral, deve haver revisão das práticas pedagógicas, dos materiais didáticos e da formação dos professores. A Educação Infantil  não será a única a ser afetada, mudanças ocorrerão, também, no Ensino Fundamental e na alfabetização de jovens e adultos. Lembrando que a adesão às novas diretrizes da PNA não tem prazo de aplicação e, ainda, é voluntária.

Estados, municípios, professores, alunos, pais e responsáveis serão, diretamente, impactados com as alterações dispostas na nova cartilha de alfabetização. Portanto, é importante que você conheça suas principais mudanças.

1- Utilização exclusiva do método fônico

O documento preconiza um único método de alfabetização, o fônico. Ou seja, o ensino das letras e de seus sons como antecessor da leitura e da escrita. Desta forma, vai contra o método global, em que a alfabetização acontece ao mesmo tempo que as crianças são ensinadas a ler e escrever através de textos e livros.

A escolha do método fônico, segundo o MEC, é por ser mais eficaz que outras abordagens, como o construtivismo.

Acontece que, quando se opta por um padrão metodológico para todo o País, as especificidades de cada região são desconsideradas. Além, é claro, de retirar a autonomia das redes de ensino quando identificam a necessidade de utilização de mais de um método de ensino.

2- Reforço da família no processo de aprendizagem

A literacia familiar é mencionada, na cartilha de alfabetização, como fundamental para o sucesso escolar. É, em casa, que as primeiras práticas relacionadas à linguagem, leitura e escrita acontecem, antes mesmo de as crianças irem para a escola.

Leitura e narração de histórias, conversas, jogos e contato com livros ilustrados, são exemplos de ações a serem praticadas, em conjunto com a criança, pelos pais e cuidadores.

É importante que essas atividades, no ambiente familiar, aconteçam até os seis anos. Porém, é fundamental que haja continuidade desse tipo de interação para além da idade mencionada.

Conforme texto disposto na cartilha: “Pais e cuidadores não alfabetizados podem realizar práticas simples e eficazes de literacia familiar quando bem orientados”.

A grande barreira de envolver a família é que, muitos dos pais, não conseguem e nem possuem o hábito de ler. Como conseguiriam manter uma rotina de leitura com os filhos?

3- Ênfase da alfabetização no primeiro ano

Conforme a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a alfabetização se encerra no segundo ano do Ensino Fundamental. Contudo, na cartilha, a ênfase do processo se dá, prioritariamente, no primeiro ano.

Especialistas discordam do prazo descrito no documento, pois cada criança aprende conforme seu ritmo. Algumas podem levar menos tempo, outras mais. Não existe uma regra para todos os alunos, já que, tanto em casa, quanto na escola, os estímulos podem ser diferentes.

4- Uso de estímulos lúdicos

Esse é um tema que será debatido, mais profundamente, entre o grupo de especialistas que formarão a base para o desenvolvimento das políticas públicas de alfabetização.

É nesse segundo momento que as práticas pedagógicas, bem como os materiais didáticos e a formação dos professores serão repensados.

Mas, para dar vida ao disposto na cartilha de alfabetização, será fundamental fazer uso de estímulos lúdicos. É dando um significado à criança, que sua capacidade de absorção aumenta, principalmente quando estamos falando de seus primeiros aprendizados.

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E então? Conseguiu entender as principais mudanças trazidas pela nova cartilha de alfabetização do MEC? Quais os desafios que você acha que encontrará na prática? Conta para nós a sua experiência, será um prazer ouvi-lo!

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