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Os desafios de ensinar Língua Inglesa na rede pública

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Desafio é algo intrínseco quando o assunto é ensino. A instituição escolar, mais precisamente o educador, coleciona desafios na tentativa de cumprir a missão de transferir conhecimento aos seus alunos. Problemas de remuneração, professores despreparados, educadores e educandos desmotivados, greves, altos índices de indisciplina, falta de recursos, e outros tantos fatores já comumente conhecidos e debatidos, que, quando somados, são barreiras quase intransponíveis no processo de ensino-aprendizagem.

Não bastassem tais dificuldades, o professor de Língua Inglesa ainda precisa enfrentar outros desafios para ser aceito e respeitado em sala de aula, a começar pela famosa frase: “inglês não reprova”. Quando ouço um comentário desses, reproduzido desde quando eu ocupava uma das carteiras do ensino fundamental, chego à conclusão de que há algo de muito errado no sistema educacional. Os alunos parecem não buscar identificações e afinidades com o conteúdo das disciplinas, e se dedicam mais para não repetirem o ano do que por interesse em aprender e apreender o conhecimento.

A desvalorização da disciplina de Língua Inglesa não é uma questão inventada pelos alunos, é decorrente, muitas vezes, do modo como a matéria é vista pela própria Gestão Escolar, o que pode ser rapidamente constatado nas reuniões pedagógicas e conselhos de classe. Em situações como essa, o professor precisa mostrar o valor de sua disciplina no mundo globalizado em que vivemos, defendê-la com argumentos e exemplos reais do cenário econômico, salientar as oportunidades que esse conhecimento gera e não aceitar que a atribuam uma importância secundária.

Outro fator relevante é conseguir transmitir aos alunos a importância de dominar uma segunda língua, sobretudo, o inglês. Infelizmente, observo nas conversas com meus alunos que, boa parte deles não tem grandes perspectivas com relação ao futuro e, portanto, não conseguem compreender essa necessidade do aprendizado, porque o uso da Língua Inglesa não faz parte da realidade deles e nem das pessoas com quem convivem. Não há uma aula em que eu não escute frases como: “eu nunca vou precisar falar inglês”, “eu nunca irei viajar”. Triste realidade que precisa ser regada com uma boa dose de sonhos. Momentos assim me deixam assustada como educadora e me fazem voltar ao passado e ver que eu mesma não tinha grandes perspectivas e que também desconhecia totalmente a importância de dominar a Língua Inglesa, até porque tal conhecimento também não fazia parte do meu contexto familiar. Tento recordar quando isso se tornou palpável e concreto pra mim, e ouço a fala de professores e amigos que encontrei pelo caminho. Percebo que hoje eu preciso ser essa voz educadora e amiga que tenta despertar nos alunos mais do que interesse, a esperança em um futuro de oportunidades, busca e realizações.

Não podemos nos esquecer de que exercemos um papel importante na vida de nossos alunos, pois somos um modelo que pode vir a ser seguido, então, para instigar algo neles, temos de instigar em nós primeiramente. Falem muito em inglês com seus alunos, mesmo que eles não entendam. Façam com que eles sintam curiosidade e, quem sabe, o desejo de aprender, percebendo que, assim como o professor aprendeu, eles podem alcançar esse entre outros objetivos na vida.

Há também quem defenda que, na escola, o aluno não precisa aprender a se comunicar em inglês, amarrando o aprendizado a vocabulários desconectados, e aspectos gramaticais, fatores que tendem a desmotivar o aluno. Contrário a essa prática, existem estudos que apontam que o melhor método de ensino é o que valoriza a comunicação em primeira instância. Tenho, portanto, como missão da Disciplina formar pessoas que consigam se comunicar e interagir com a Língua em diferentes contextos, seja lendo, jogando, assistindo a filmes, ouvindo músicas e, por que não, conversando com pessoas. Isso dá sentido ao aprendizado e motiva o estudo e aprimoramento.

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A falta de recursos, sobretudo tecnológicos, também influencia no ensino, pois, atualmente, os alunos demonstram maior interesse por aulas interativas, já que fazem parte de uma geração imediatista e resistente a processos de absorção de informação que exijam muito tempo de leitura, por exemplo. Desse modo, o uso da internet pode ser um aliado no planejamento das aulas. E, na falta dela, há de se criar meios para obter efeitos semelhantes. É difícil, mas é possível.

Desafios existem e sempre irão existir, mas, se estivermos conscientes da importância do trabalho de educador e do impacto que o conhecimento da Disciplina de Língua Inglesa pode causar na vida de um aluno, podemos passar a atuar como quem enxerga a realidade, mas não aceita fazer parte dela, ou pelo menos, não como alguém que só constata e não age.

Let’s do it!

Você já enfrentou ou enfrenta alguma desafio que gostaria de compartilhar? Comente abaixo ou compartilhe o tema com pessoas que você acha que possam se interessar.

O texto acima é de autoria de Milene Maciel, que compartilha conosco aqui suas experiências e vivências do processo de ensino-aprendizagem.

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