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Como abordar o bullying em sala de aula?

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Na hora de dividir os times na aula de Educação Física, um dos alunos, que está acima do peso, é sempre deixado por último. A explicação para essa atitude é dada por uma das outras crianças, que atribui a rejeição ao fato de ele ser GOR-DO, como o coleguinha faz questão de enfatizar.

Com maior ou menor frequência, histórias como essa são comuns em escolas de todo o mundo. Elas exemplificam uma prática que ficou conhecida como bullying, termo que define todas as manifestações de violência física ou psicológica contra crianças e adolescentes.

Via de regra, os alvos preferidos são os alunos que fazem parte de minorias. Em outras palavras, a discriminação acontece em decorrência de orientação sexual, crença religiosa ou alguma característica física ou comportamental, como o excesso de timidez. Estudantes que têm um transtorno de aprendizagem também podem ser mais vulneráveis.

Se as vítimas geralmente sofrem em silêncio — elas se sentem acuadas e chegam a se culpar por essa situação —, os professores não podem seguir pelo mesmo caminho, é preciso falar abertamente sobre o bullying em sala de aula.

Tamanho cuidado se justifica, afinal de contas, a popularização dos recursos tecnológicos deu origem a uma variação desse fenômeno, potencializando o alcance dos ataques para além dos muros da escola.

Já no cyberbullying, as agressões acontecem no ambiente virtual, no qual os usuários podem usar contas reais ou criar perfis fakes para atingir o seu objetivo e expor a vítima ao escárnio público, potencializado pela facilidade de compartilhamento de mensagens ofensivas. Entenda agora qual é o papel da instituição de ensino no enfrentamento desse problema.

O papel da escola no combate ao bullying

Para ser reconhecida como uma escola acolhedora, a instituição deve atuar ativamente no combate à discriminação e o bullying. Contudo, os profissionais de educação normalmente encontram dificuldades, mediante a linha tênue que separa as brincadeiras típicas da idade das manifestações intencionais e repetitivas de violência física ou psicológica, que caracterizam o bullying em sala de aula.

Ademais, como na maioria das escolas as turmas são bastante numerosas, é pouco provável que o professor consiga monitorar, de maneira adequada, os casos de agressão que ocorrem em sala de aula, atentando aos desdobramentos e frequência em que eles ocorrem.

Por tudo isso, é necessário reconhecer a existência do fenômeno e preparar a equipe pedagógica, orientando-a sobre os prejuízos que essa prática acarreta, não apenas no que diz respeito ao desenvolvimento educacional, mas também à personalidade da pessoa, que, muitas vezes, sofre com os traumas mesmo após a interrupção dos ataques.

Algumas maneiras práticas de discutir o bullying em sala de aula

Em meio a esse cenário, as instituições de ensino devem assumir a responsabilidade por conduzir a discussão sobre o bullying em sala de aula. Quando possível, o ideal é que essas atividades extrapolem o ambiente interno e mobilizem toda a comunidade ao entorno. Veja algumas dicas práticas de como fazer isso:

Abrace a diversidade e estimule a criação de empatia

Combinando algumas estratégias, o professor pode criar situações que estimulem o estudante a refletir sobre a sua capacidade de tolerância e aceitação das diferenças. Incentivar a turma a conversar a respeito é importante, mas o legado da atividade será ainda mais enriquecedor se houver uma demonstração prática.

Nesse contexto, o ideal é que sejam trabalhados valores como solidariedade e empatia, ou seja, a capacidade de se colocar no lugar de outra pessoa para entender como é o seu mundo e quais são seus medos. As situações devem servir para que a criança ou adolescente desconstrua seus próprios preconceitos.

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Uma sugestão é dividir os alunos em duplas, então, um deles deve percorrer um trajeto de olhos vendados, obedecendo às orientações do parceiro que está com os olhos livres. Depois, eles devem trocar de lugar.

Recorra a livros e filmes

Livros e filmes também são grandes aliados na abordagem do bullying em sala de aula. Personagens consagrados do universo infanto-juvenil podem ser utilizados como referência de condutas que devem ou não ser adotadas na vida real.

Quanto antes o trabalho de conscientização começar, mais eficazes poderão ser os resultados. Obviamente, porém, a complexidade da discussão deve aumentar conforme a criança cresce, com obras e roteiros adequados a cada faixa etária.

Como exemplo, podemos citar o clássico “Tarzan”, que narra a história de um menino que sobrevive a um acidente na floresta e é criado por gorilas. No decorrer da história, são mostradas as dificuldades de convivência e adaptação, mas, ao final, o vínculo afetivo acaba prevalecendo sobre as diferenças entre as espécies.

Discuta casos reais e promova atividades de conscientização

Infelizmente, atentados em escolas — provocados por alunos que desejavam se vingar das humilhações que sofreram — acontecem com relativa frequência. A cada vez que uma tragédia como essa virar notícia, aproveite para abordar o bullying em sala de aula.

É importante que os alunos reflitam sobre as medidas que poderiam ter sido tomadas para evitar que a situação chegasse a níveis tão extremos. Utilize o episódio como o ponto de partida para uma discussão em que todos podem expressar suas opiniões. Aqueles que são mais tímidos podem se manifestar por meio de um desenho, por exemplo.

Também é válido convidar profissionais da educação, dirigentes de organizações não governamentais e demais pessoas envolvidas direta ou indiretamente com a causa para ministrar palestras para os alunos e suas famílias.

É importante lembrar que não apenas a vítima precisará de apoio, mas também o agressor. Nesse caso, é válido se certificar de que ele tenha conseguido admitir a sua culpa. Esse é o primeiro passo para uma mudança de comportamento.

Utilize jogos e brincadeiras

Crianças, especialmente as mais novas, nem sempre conseguem compreender a gravidade e a importância da discussão de casos de bullying em sala de aula. Por essa razão, uma boa estratégia é apostar no flerte com o universo lúdico.

Em outras palavras, já existem diversos jogos manuais e online no mercado que reforçam a importância de se ter um comportamento gentil com os colegas. Enquanto brincam, as crianças têm a oportunidade de repensar suas próprias atitudes.

Um deles é o Dado dos Sentimentos, em que cada face do objeto é ilustrada por um estado de espírito, como contente, com raiva ou zangado. Com o grupo em círculo, cada jogador deve relembrar um episódio marcante relacionado à sensação indicada. Dessa maneira, os colegas conseguem perceber como gestos aparentemente inofensivos podem magoar o próximo.

Agora que você já entendeu como a escola pode ajudar no combate ao bullying em sala de aula, descubra o que a instituição precisa fazer para que os alunos especiais se sintam acolhidos. Afinal de contas, a educação é um direito de todos!

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Portabilis Tecnologia

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