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Conheças as 10 competências gerais da Base Nacional Comum Curricular

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O ensino brasileiro já passou por várias mudanças na busca por adequar seus programas à realidade das escolas. Uma dessas alterações surgiu em 2017, com a terceira versão do documento que passa a servir de referência para os currículos de todo o País a partir de 2020, trazendo, também, uma lista de competências gerais da Base Nacional Comum Curricular. 

De forma geral, a BNCC busca padronizar parte do ensino, adotando moldes para promover o maior desenvolvimento dos estudantes. Já as competências gerais consistem em um alicerce para o desenvolvimento dos programas educacionais, além de guias para qualquer alteração futura. De certa forma, você pode considerá-las os “valores” que devem guiar a educação no Brasil.

Além de serem norteadoras do trabalho das escolas e dos professores em todos os anos e componentes curriculares, o objetivo das 10 competências gerais é promover a equidade e a formação integral – desenvolvimento intelectual, social, físico e emocional – de todo o cidadão brasileiro.

Vale lembrar que a implementação da BNCC é prevista para ocorrer de 2018 a 2020 em todas as escolas, passando por etapas como, (re)elaboração dos currículos, revisão de materiais didáticos e formação de professores.

Para garantir que sua escola aplique essas competências com maior qualidade, você precisa entender o que elas significam e como funcionam na prática. Por isso, vamos listar cada uma e ver seu significado. Acompanhe!

O que cada competência representa?

As competências gerais da Base Nacional Comum Curricular contemplam elementos cognitivos, sociais e pessoais a serem desenvolvidos pelos alunos.

A priorização do desenvolvimento de competências é muito mais moderno e efetivo do que olhar para o desenvolvimento de um conteúdo específico.

A ideia não é planejar aulas sobre as competências, mas articular sua aprendizagem à de outras habilidades relacionadas a cada área do conhecimento e componente curricular. 

Sendo assim, vamos falar com maiores detalhes sobre cada competência geral da BNCC. Veja abaixo:

1. Valorização do conhecimento no desenvolvimento da sociedade

A primeira das competências gerais da Base Nacional Comum Curricular é que o melhor desenvolvimento social ocorre a partir da aplicação do conhecimento. A mensagem é simples: as informações e experiências acumuladas historicamente são a chave para explicar o mundo e a realidade como a conhecemos. Junto a isso, vem a ideia de que, ao acumular conhecimento, o estudante também adquire mais ferramentas para entender a realidade e contribuir com a sociedade.

2. Exercício da curiosidade e do pensamento científico

Boa parte do conhecimento utilizado em nossa sociedade hoje advém do pensamento científico. O procedimento passa por observação, formulação de teoria, desenvolvimento de hipótese, testes e busca por soluções. Incluir esse tipo de exercício mental na educação tem como objetivo direcionar a mentalidade de uma pessoa, levando-a a pensar nos fatos enquanto resultados de um procedimento lógico.

3. Amadurecimento do senso estético

Arte é um componente muito importante das sociedades modernas. O entendimento de seu valor para a cultura, além do desenvolvimento de uma sensibilidade própria para suas obras, ajuda a amadurecer o olhar que cada um tem sobre sua própria realidade, ampliando suas possibilidades.

4. Uso da linguagem na comunicação

Compreensão mútua é outro fator essencial para o desenvolvimento de um indivíduo. Pensando nisso, as competências gerais da Base Nacional Comum Curricular também incluem uma sessão apenas para reforçar a importância das linguagens. Citam-se a fala, a escrita e comunicações verbo-visual (libras), corporal, matemática, artística, entre outras. Resumindo, a escola deve dar ao estudante ferramentas para se comunicar de maneira eficaz.

5. Uso dos recursos digitais de forma crítica

Com a chegada da era da informação e sua maior acessibilidade, cada indivíduo precisa aprender a utilizar os recursos tecnológicos com responsabilidade e senso crítico. Essa ainda é uma área nova para a educação, o que significa que ainda tem muito a se desenvolver. Todavia, sua exigência dentro da BNCC já é um bom começo.

6. Celebrar a diversidade

Sendo um país com diversas formas de cultura já existentes e novas culturas surgindo com o tempo, ensinar que todos devem aceitar diferenças é fundamental. De acordo com o documento, tal conhecimento deve ser aplicado tanto no convívio social quanto na vida pessoal e individual. Afinal, ao aprender a aceitar os outros como são, você também aprende a aceitar a si mesmo.

7. Usar fatos e dados para defender ideias e pontos de vista

Muitos pontos de vista são defendidos com base em apelo emocional ou em ideias já refutadas. Para mudar esse quadro, as competências gerais da Base Nacional Comum Curricular, além do pensamento científico, também promovem a capacidade de argumentação, buscando informações objetivas para defender um ponto de vista.

8. Cuidado com a própria saúde física, mental e emocional

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, uma “vida saudável” é definida como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente ausência de afecções e enfermidades”. Em outras palavras, uma pessoa deve cuidar de si mesma em múltiplos níveis, não apenas no tratamento de doenças.

9. Desenvolvimento da empatia

Nesse tópico, a BNCC destaca que a compreensão e empatia são ferramentas poderosas para solucionar conflitos e promover cooperação e respeito mútuos. Também fala diretamente que deve haver um acolhimento para qualquer cultura, sem preconceito contra etnia, religião, orientação sexual, identidade, idade ou necessidade especial.

10. Desenvolvimento de autonomia e responsabilidade

Por fim, como já era esperado, a escola deve também preparar um indivíduo jovem para a vida adulta. E a melhor forma de fazer isso é promover a autonomia e flexibilidade, ensinando-o a tomar suas próprias decisões e a lidar com suas liberdades de forma responsável e ética.

Como a nova base pretende afetar o ensino?

Desenvolvimento humanizado

Uma mudança na filosofia das competências gerais da Base Nacional Comum Curricular é trazer o foco do desenvolvimento profissional e educacional, focado na reprodução de informações, para o desenvolvimento humano. A chave para o sucesso durante a vida adulta não está mais apenas no acúmulo curricular, mas também no desenvolvimento de habilidades intangíveis, como a comunicação, empatia e pensamento crítico.

Busca pela redução da desigualdade

Uma das diretrizes da nova Base é que todas as crianças em idade escolar devem ser alfabetizadas até o final do segundo ano do ensino fundamental, aos 7 anos de idade. Um dos objetivos dessa medida é evitar a disparidade entre diferentes escolas, com alguns grupos muito à frente de outros. Tal orientação está de acordo com os pontos já citados, como valorização do conhecimento e uso da linguagem. O prazo para essa mudança é de 2 anos.

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Adequação à realidade da nova geração

O uso das tecnologias digitais pela população mais jovem é algo relativamente recente. Mesmo com as mudanças ocorrendo a passos largos, as escolas ainda não possuem um método comprovado para lidar com as inovações. Porém, a única forma de solucionar esse problema é por meio da prática, vendo como cada grupo responde e contribui para essa questão.

As particularidades de cada etapa de ensino

Toda a Educação Básica deve se nortear pelas mesmas competências gerais, porém, cada etapa de ensino é estruturada em um formato diferente para que as fases do desenvolvimento dos alunos sejam respeitadas.

Veja, na imagem abaixo, como a estrutura da Educação Básica passou a ser organizada a partir da BNCC:

Educação Infantil

Além das competências gerais, a Educação Infantil é estruturada através dos direitos de aprendizagem e desenvolvimento e dos campos de experiências. Sendo necessário, ainda, definir os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento para cada faixa etária − bebês, crianças bem pequenas e crianças pequenas.

Ensino Fundamental 

No Ensino Fundamental, as competências gerais devem ser desenvolvidas através de cinco áreas de conhecimento – Linguagens, Matemática, Ciências da natureza, Ciências humanas e Ensino religioso – que se desmembram em competências específicas, componentes curriculares, unidades temáticas, habilidades e objetivos de conhecimento.

Ensino Médio 

Similar ao Ensino Fundamental, as competências gerais no Ensino Médio se desdobram em áreas de conhecimento – Linguagens e suas tecnologias, Matemática e suas tecnologias, Ciências da natureza e suas tecnologias, Ciências humanas e sociais aplicadas – competências específicas e, por fim, habilidades.

Como aplicar as competências gerais da Base Nacional Comum Curricular nas aulas?

Um excelente material para estudar a fundo as 10 competências gerais da Base Nacional Comum Curricular é o documento criado pelo Movimento pela Base Nacional Comum e pelo Center for Curriculum Redesign. Nele, são detalhadas as dimensões e subdimensões de cada competência, bem como indicações de como elas devem evoluir da Educação Infantil até o Ensino Médio.

De forma resumida e para facilitar o entendimento, vamos dar um exemplo de como interpretar uma competência geral e, em seguida, indicaremos planos de aula prontos para atender às competências estabelecidas pela BNCC. Continue com a gente!

Para cada competência, há uma descrição do saber a ser adquirido, seguido de sua finalidade. Portanto, trata-se do que deve ser apreendido pelos alunos em sala de aula. Exemplo:

  1. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas.

Neste caso, o saber a ser adquirido é:

  • Acessar, selecionar e organizar o conhecimento com curiosidade, pensamento científico, criticidade e criatividade;

Com a finalidade de:

  • Observar, questionar, investigar causas, elaborar e testar hipóteses; refletir, interpretar e analisar ideias e fatos em profundidade; produzir e utilizar evidências.

Continuando com o exemplo acima e analisando o plano de aula sobre as regiões do Brasil – que propõe, aos alunos, pesquisas sobre o tema, debates e produção de mapas para que compreendam como os aspectos naturais e humanos criam espaços e estruturas – conseguimos perceber o quanto ele contribui para desenvolver a competência do pensamento científico, crítico e criativo nos estudantes.

Planos de aula, como o citado acima, podem ser encontrados na internet e, o melhor, totalmente gratuitos. Os sites da Nova Escola e do Currículo Digital da Cidade de São Paulo são exemplos disso.

Vale destacar que esses planos de aula foram produzidos por professores e professoras que já conseguiram aplicar muitas das práticas em sala de aula. Os planos possuem diversas informações úteis e importantes como, tempo previsto para cada atividade, objetivos, materiais necessários, habilidades e competências a serem desenvolvidas, além do passo a passo para sua execução.

Para além dos planos de aula, um bom sistema de gestão escolar, adaptado à BNCC, também vai ajudar os gestores escolares e professores na difícil tarefa de organizar a nova estrutura curricular. Imagina ter que controlar todas essas mudanças no papel? 

E para fechar, agora que você já conhece as 10 competências gerais da Base Nacional Comum Curricular, leia, em nosso blog, um resumo de como criar planos de aula adaptados à BNCC para, por exemplo, a Educação Infantil, o Ensino Fundamental ou para os componentes curriculares de Língua Portuguesa e Matemática. Não perca tempo e corre para ler o que preparamos para você!

 

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E então? Conseguiu entender o que são as 10 competências gerais da Base Nacional Comum Curricular? Gostou das dicas para adaptar os planos de aula à BNCC? Na sua escola, como está o andamento de todas essas mudanças? Conta para nós a sua experiência, será um prazer ouvi-lo!

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Portabilis Tecnologia

A startup de tecnologia que ajuda os governos municipais a superarem a falta de informação através de soluções inteligentes, para aumentar o impacto das políticas públicas de educação e assistência social, focando em transformações sociais e a garantia do acesso de todos os brasileiros aos seus direitos.